terça-feira, 1 de junho de 2010

Economia Cafeeira



No século XVII, o café ficou conhecido no mundo com a fama de "bebida de luxo". Nessa época, ele era produzido em grande quantidade nas colônias francesas do Haiti e da Guiana francesa. Em virtude disso, a França desde cedo se destacou na produção e na divulgação do consumo dessa bebida, que chegou ao Brasil por volta de 1727, pela região do Pará.

Com o passar do tempo, os cafezais foram aos poucos substituindo as matas ao redor do Rio de Janeiro; onde era plantado em pequenas lavouras, sem muito valor comercial. Entretanto, no final do século XVIII, a produção colonial francesa entrou em crise, e, com isso, a produção cafeeira no Brasil começou a despontar, sendo realizada cada vez mais em larga escala e com fins de exportação.


Justamente nessa época, acabou-se no Brasil o último governo provisório da regência, e a maioridade de Dom Pedro II foi antecipada, tornando-o imperador do Brasil, com apenas quinze anos de idade. Olhando-se por esse ângulo, pode-se dizer que “Dom Pedro II foi um menino de sorte: na época em que ele assumiu o trono, o café passou a ser bem cotado no exterior, e isso possibilitou a recuperação da economia no país” (Ivan Jaf, 2003, p.61), outrora arrasada em virtude do caos gerado pelo período regencial.


Das pequenas lavouras que cresciam ao redor do Rio de Janeiro, a produção cafeeira se expandiu, atingindo as regiões da Zona da Mata e boa parte do litoral fluminense, fixando-se com sucesso no vale do Paraíba, que possuía solo fértil, chuvas regulares, temperaturas adequadas e proximidade do porto com a capital, ou seja, o vale tinha condições bastante propícias para o desenvolvimento das lavouras cafeeiras, o que fez com que a cafeicultura se transformasse rapidamente na principal atividade econômica da região.


Entretanto, como tudo que acontece de bom tem também seu lado ruim, com a economia cafeeira não poderia ser diferente: a maior parte da nossa produção de café era exportada para os EUA, assim, pode-se dizer que “enquanto os ingleses nos deixavam dependentes ‘vendendo’ seus produtos, os americanos do norte nos tornavam dependentes ‘comprando’ nossos produtos” (Ivan Jaf, 2003, p.61).


Ou seja, “Os Estados Unidos ficavam com o café e o Brasil pagava as dívidas com os ingleses, livrando-se deles, tendo mais autonomia, e ainda sobrava dinheiro para que se investisse dentro do país” (Ivan Jaf, 2003, p.61). Entretanto, como bem se sabe, ao depender demais de alguém, as pessoas acabam relaxando demais, o que é preocupante. De fato, a dependência com os EUA era uma faca de dois gumes: Por um lado, vendia-se o café, pagavam-se as dívidas externas e ainda se investia internamente no país. No entanto, se os americanos deixassem de comprar o café aos brasileiros, estes estariam em apuros...


De qualquer forma, a economia brasileira ia de vento em poupa, com lucros exorbitantes, até que, por volta de 1850, a Inglaterra, que libertara os negros em suas colônias, não queria mais a escravidão em lugar nenhum, porque ela barateava o preço da produção e prejudicava a concorrência.


No Brasil, os proprietários de terra não queriam nem falar em abolição, uma vez que os cafezais se apoiavam justamente no trabalho escravo; e, por isso, os ingleses começaram a discordar dos poderosos barões do café, que antes apoiavam, e acabaram incentivando ideias radicais no país. Essa situação se figurou por certo período de tempo, até que, devido ao desgastamento da terra do vale do Paraíba, que deixou de produzir, os novos plantadores, concentrados agora no Oeste paulista, aceitaram substituir o trabalho escravo pelo dos imigrantes vindos da Europa. E, em 1888, a escravidão foi oficialmente abolida no Brasil.


A economia brasileira passou a crescer consideravelmente, e, à medida que os novos plantadores de café em São Paulo iam enricando, nas cidades, industriais e banqueiros faziam fortuna e distanciavam-se cada vez mais dos ideais absolutistas, monárquicos e escravagistas. “Surgiram novas palavras, como ‘evolucionismo’ e ‘positivismo’, as pessoas dessa época viram a religião ser substituída pela ciência, os mistérios, pela experiência, e a escuridão, pela luz elétrica” (Ivan Jaf, 2003, p.63).


Essa nova conjuntura no cenário brasileiro, à primeira vista, parecia ser benéfica e eficaz, entretanto:


“Para o povo, o resultado prático da abolição da escravatura e do incentivo à imigração foi a formação de imensos cortiços e favelas, onde iam morar os escravos libertos abandonados à própria sorte e os estrangeiros fugidos dos trabalhos forçados nos cafezais. [...] Enquanto as elites brigavam por privilégios, a maior parte das pessoas passava fome, andava sobre esgoto e enterrava seus filhos ainda bebês.” (Ivan Jaf, 2003).



Com a instauração da república, o “poder” foi para São Paulo; assim, na virada do século XIX, a classe que ditava as regras no país era a dos cafeicultores do Oeste paulista. Com isso, a estrutura política mudou: “agora havia um presidente, com poderes para intervir nos estados, que por sua vez eram chefiados por governadores. ‘Todos’ votariam, com exceção dos analfabetos, das mulheres, dos soldados e dos menores de idade” (Ivan Jaf, 2003, p.69). Ou seja, apenas 2% da população passou a eleger os representantes da nação. Mas isso não tinha muita importância, visto que as eleições eram bastante fraudulentas, e havia assassinatos de opositores e eleições de candidatos únicos.


Esse regime político desagradava a todos que não se aproveitavam dele, ou seja, a grande maioria do povo brasileiro, que, por esse período, eram por volta de trinta milhões de pessoas. Mas, enquanto o café continuasse a render nada podia ser feito. Os barões de café sentiam-se invencíveis. E, de fato, praticamente o eram; até que, em 1905, tomaram o primeiro susto:


“Colheram quatro vezes mais sacas do que o mercado internacional podia comprar. Se um produto sobra, seu preço cai. Com o café ia acontecer isso, se os ‘barões’ que o produziam não obrigassem o governo a comprá-lo pelo preço de sempre e estocá-lo. O mesmo aconteceu nos anos seguintes. Para isso foi preciso, como sempre, pedir emprestado aos bancos estrangeiros e aumentar os impostos.” (Ivan Jaf, 2003).


Para piorar ainda mais a situação, a Europa entrou em guerra. O conflito, concentrado inicialmente na Europa, expandiu-se pelo mundo. Assim, o café deixou de ser uma prioridade, e os EUA, principal importador desse produto, deixaram de comprá-lo. Com isso, os produtores de café agonizaram lentamente, e em seu lugar emergiram os industriais.

(Créditos a Natássia Cândida Vasconcelos Silva, que cedeu o texto acima do seu trabalho de economia política, a ser apresentado dia 01/06/2010, perante o professor
Edson José de Castro Lima e aos demais colegas de sala).

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